segunda-feira, 8 de junho de 2009

Prêmio Lorenzo Natali de 2009

Por conta do dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado no dia 03 de maio, a Comissão Europeia lançou oficialmente o Prêmio Lorenzo Natali de 2009. Este prémio, promovido em parceria com os Repórteres sem Fronteiras e a Associação Mundial de Jornais, recompensa os jornalistas empenhados na defesa dos direitos humanos, da democracia e do desenvolvimento.


O Prêmio Natali é um prémio internacional (em 2008 participaram mais de 1500 jornalistas de 151 países ) que recompensa o jornalismo desde 1992. Está aberto aos jornalistas de televisão, rádio ou imprensa escrita.


Os jornalistas que desejem participar podem candidatar-se até 30 de Junho de 2009 (
www.nataliprize2009.eu).

Os vencedores receberão o prémio no mês de Outubro, em Estocolmo, numa cerimônia excepcional de entrega dos prêmios que contará com a presença do Comissário responsável pelo Desenvolvimento e Ajuda Humanitária.


Os prêmios, no valor total de 60 000 euros, recompensarão jornalistas de África, da Europa, do Magrebe/Médio Oriente, da Ásia e da América Latina/Caraíbas.


"Para todas as coisas maravilhosas que os jornalistas fazem e que realmente sabe que corre o risco de sua vida todos os dias, quero agradecer à União Europeia para a criação deste prêmio, porque, muitas vezes, nós não encontramos tempo suficiente para dizer obrigado."

Wangari Maathai, Vencedor do Prémio Nobel da Paz 2004


Conheça também a versão traduzida do projeto.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Enfants de la Révolution

* Filhos da Revolução

Origens e vertentes:

O jornalismo de ideias teve início na França, no século XVIII, durante a revolução. Sua principal função era disseminar os valores iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade que foram levantados pela burguesia da época. Os jornalistas, defensores do Iluminismo, foram essenciais ao período histórico, com sua função de informar e contextualizar os cidadãos. A imprensa tornou-se a porta-voz política da época.

Surgiu no Brasil no Primeiro Império, junto com o conceito de liberdade de imprensa, com a publicação do panfleto “Folheto de Caille”. Era escrito por um cidadão comum, mas continha chancela do rei.

Esse gênero dedicava-se à política da época, questionando principalmente as ações da Família Real e Corte Portuguesa. Tratava de assuntos complexos para o período e população, tornando-se também uma publicação de teor educativo.

O jornal entre 1821 e 1823 foi quem preparou a população para um regime mais liberal, discutindo desde então a Independência do Brasil. Por tratar de ideologias e ser militante, além de informar era opinativo, fugindo do conceito de “imparcialidade”.

Na segunda metade do século XVIII, as redações começaram a abrir espaços para escritores e textos literários, atingindo principalmente as mulheres. Essa mudança criou as linhas editoriais, ou seja, um conteúdo voltado para determinado público. Foi durante esse período que as primeiras publicações femininas começaram a circular.

O jornalismo de ideias também foi essencial no período Abolicionista, veiculando movimentos e ideais republicanos.

A Revolução Francesa foi fundamental para a nossa formação cultural, política e jornalística. Inspirados nos Iluministas, tomamos partido e publicamos nossas posições diante do rei e sua corte, sendo fundamentais para o fim da escravidão e pela nossa independência como colônia.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade são as bases que sustentam não somente nossa imprensa, já tão surrada pela ditadura, pelo império, pelo capitalismo, mas também a nossa história.

A França foi e é muito mais do que capital da moda, gastronomia e turismo. Parte de nossa formação como pátria é decorrente de sua Revolução. Aproveitando a deixa histórica, a redação do Laudeando aproveita para anunciar o “Ano da França no Brasil”, de 21 de abril à 10 de novembro de 2009. Projetos, programas culturais e várias atrações de artistas franceses serão apresentados em todo o país. O Ministério da Cultura também organiza mostras, exposições e apresentações sobre o tema.

Mais informações no site do projeto.

Acompanhe documentário do canal The History Channel sobre a Revolução Francesa:

Episódio 1:




Episódio 2;

Episódio 3;

Episódio 4;

Episódio 5;

Episódio 6;

Episódio 7;

Episódio 8;

Episódio 9;

Episódio 10;

Episódio 11;

Episódio 12;

Episódio 13;

Episódio 14.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Mostra de Vik Muniz em São Paulo

Impulsionada por admiradores, chega ao MASP a retrospectiva ‘Vik’, celebrando os 20 anos de carreira do artista plástico e fotógrafo paulista Vik Muniz


Está em exposição no Museu de Arte de São Paulo uma retrospectiva do fotografo e artista plástico Vik Muniz, A mostra “Vik” reúne 200 imagens que compõem 131 obras, seguindo criações desde 1988 até os dias atuais. As obras passaram pelos Estados Unidos, Canadá, México. sendo mostrada pela primeira vez no Brasil no Rio de Janeiro.

A exposição, acompanhada por um livro teve início em 24 de abril e não traz todas as series do artista mas pontua a relação da fotografia e do desenho temático, como “Imagens de Papel”, “Quebra-cabeças”, “Monalisa” criadas com os mais inusitados materiais.

Vik atraiu a atenção da comunidade artística internacional através de fotografias e de trabalhos realizados, sua originalidade lhe garantiu o reconhecimento da critica e estabeleceu como um dos criadores mais adulados da arte contemporânea.

Porem, o sucesso chegou apenas há 14 anos quando o critico do New York Times foi conferir a exposição de uma galeria que apresentava a serie “Sugar Children” que reúne retratos de crianças que o artista conheceu no Caribe recriados com açúcar.


MASP (av. Paulista, 1578 - SP)
De ter a dom e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Entrada: R$ 15,00
Estudantes, R$ 7,00 / menores de 10 anos e maiores de 60 anos; grátis
Às terças a entrada é gratuita
Telefone: (11) 3251 5644
Classificação etária: livre
Estacionamento pago no local
Mais informações pelo site: http://masp.art.br/

domingo, 3 de maio de 2009

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

Créditos: Ester EllwangerNa primeira Constituição Brasileira, de 25 de março de 1824, já constava que “todos podem comunicar os seus pensamentos por palavras, escritos, e publicá-los pela Imprensa, sem dependência de censura, contanto que respondam “[...] pelos abusos que cometerem no exercício deste direito, nos casos e pela forma que a lei determinar” (artigo 9 inciso IV).

Comemorado no dia 3 de maio, esta data nos convida a refletir sobre os pré-requisitos de uma democracia e também o mundo da transmissão dos fatos. Porém, este ano foi comemorado também, a anulação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da lei de imprensa (Lei 5.520 de fevereiro de 1967), no dia 30 de abril. A lei, criada na época da Ditadura Militar, regulava a liberdade de expressão do pensamento e da informação.

Com esta alteração, os jornalistas passam a ter como base a Constituição Federal e os Códigos Civil e Penal, além de alterar formas de indenização e do direiro de resposta.

Confira o que mudou com a extinção da Lei de Imprensa neste infográfico produzido pela Folha de São Paulo:


(...) "O direito de todos os cidadão à informação confiável depende da coragem e integridade de jornalistas, do exercício sem medo da liberdade editorial, e do compromisso constante da mídia pluralista com os princípios de liberdade e independência jornalísticas..."

"Neste Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, nós saudamos todos os jornalistas cuja busca pela verdade e pela informação em circunstâncias de guerra os leva a caminhos danosos. Aplaudimos sua coragem em face de perigos que podem ser mortais. Admiramos sua tenacidade em perseguir os fatos. E homenageamos seu profissionalismo na tentativa de penetrar nas "neblinas da guerra".

Koïchiro Matsuura-Diretor Geral da UNESCO

Veja debate sobre a libertadade de expressão no programa Primeira Página do canal TV Câmara exibido no dia 30 de Abril de 2008:



Imagem: Ester Ellwanger

segunda-feira, 27 de abril de 2009

PINGUE-PONGUE com SIMÕES

Depois de 150 anos da invenção de Gutenberg, ocorre o surgimento da imprensa periódica que se desenvolveu a partir de um período revolucionário. Isso se deu devido à difusão da alfabetização, expansão de serviços do correio, revolução francesa e alimentando debates de parlamentos de universidades e de disputas religiosas.



Em uma entrevista com o professor Ademilson Simões, formado em Estudos Socias e complementação em História pela Universidade Cidade de São Paulo, procuramos expor o conceito de “Jornalismo de Idéias” e suas vertentes ontem e hoje. Acompanhe!



Laudeando: Como você acha que a imprensa colaborou para a difusão dos ideais da revolução francesa?

Simões: "As idéias iluministas foram fundamentais para a formação de uma mentalidade revolucionária. Mas será que o povo lia diretamente os filósofos iluministas? Robert Danton, historiador norte-americano atual, mostrou que geralmente as idéias ilustradas eram transmitidas por autores hoje quase esquecidos, e que escreviam panfletos e livrinhos em linguagem simples e atraente, muitas vezes pornográfica. Não criavam idéias originais, mas eram hábeis na hora de comunicar ao povo os pensamentos elevados dos filósofos. Apesar de proibidos, esses livrinhos circulavam de mão em mão nas ruas de Paris no século XVIII, antes da Revolução."

Laudeando: Que fatores vocês acha que propiciaram a evolução do jornalismo na época?

Simões: "A imprensa revolucionária saciava a fome de idéias do povo. Esse povo que muitas vezes não tinha acesso as idéias e as informações ligadas a corte, tinham acesso a panfletos e jornais clandestinos. Esses veículos e comunicação divulgavam as idéias liberais e criticavam as atitudes absolutistas do Rei Luís XVI. A imprensa desenvolveu-se muito no período revolucionário (Mercúrio da França, Gazette), sobretudo pelos pasquins, alimentando o debate dos parlamentos e da universidade e as disputas religiosas."

Laudeando: “Os Jornais que se seguiram eram ”amigos do Rei”, você concorda que isso seria uma ironia se referindo aos jornais da época que deveriam passar pelo crivo rigoroso do rei/imperador, que não queria ver sua imagem prejudicada perante a sociedade?

Simões: "É claro que os jornais oficiais eram obrigados a falar bem do rei, caso o contrário os jornalistas seriam presos na Bastilha. Mas como já foi citado, muitos pasquins e panfletos divulgam idéias liberais e criticam o governo. Não podemos afirmar que seria uma ironia se referir aos jornais da época como amigos do Rei, já que muitos jornais eram impressos pelos funcionários da corte ou a mando do próprio Rei."

Laudeando: Como você acha que os Girondinos e os Jacobinos influenciaram na liberdade de imprensa por meio do jornalismo participativo?

Simões: "Entre os Girondinos e Jacobinos havia vários jornalistas que incentivavam a participação popular na Revolução.Como exemplo temos Marat, médico e jornalista. No seu jornal, O Amigo do Povo, estimulou as ações revolucionárias dos sans- culotte. Quando um arrogante nobre e general austríaco ameaçou castigar dos franceses caso fizessem alguma coisa ao Rei Luis XVI, Marat fez um grande campanha em seu jornal exigindo o julgamento e execução do antigo monarca.Os ideais revolucionário de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, eram colocados em prática através de criticas feitas pelos jornais revolucionários à pessoas que eram contra a revolução ou mesmo que criticavam as atitudes do revolucionários."


Laudeando: Você acha que o jornalismo de idéias ou jornalismo cívico estão ligados diretamente com o que chamamos, até hoje, de revolução?

Simões: "As Revoluções ocorrem quando as coisas mais significativas acontecem umas mais próximas das outras. No processo revolucionário ocorrem mudanças quantitativas e qualitativas. O jornalismo de idéias ou jornalismo cívico muitas vezes registram essas mudanças no exato momento histórico que elas estão ocorrendo. Esse registro, leva ao debate e esses debates levam a mudanças profundas que fazem parte da própria revolução. Como exemplo atual temos as criticas feitas ao Congresso brasileiro. Essas criticas possivelmente exigiram uma alteração profunda no comportamento dos congressistas, caso contrário haverá a crise institucional se aprofundara e poderá levar a uma Revolução político e social.Em 1964 o Congresso passava por uma crise profunda com críticas e denúncias de corrupção, esse crise e o seu descaso por parte o Congresso levou ao golpe de Estado de 1964. A chamada Revolução de 1964, por parte do militares de direita".

Laudeando: Você acha que a liberdade de expressão cívica na época da Revolução francesa foi realmente estimulada sem restrições ou houve uma certa desconfiança diante dessa decisão?

Simões: "A liberdade de expressão foi estimulada até certo ponto. A liberdade teve o seu limita na questão econômica.Pois quando a revolução ganhou corpo e as idéias revolução começaram a ser colocadas em prática, muitos ideais revolucionários que eram estimulados pelos Jacobinos e pelos Girondinos começaram a ser cerceados principalmente quando o povo, durante as jornadas de terror, atacavam a invadiam propriedades dos nobres e dos membros da Igreja. Em nome dos ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ideais burgueses, muito populares invadiram e saquearam propriedades. A liberdade de expressão somente teria sentido se houvesse um liberdade econômica e social. E nesse momento houve um limite e uma desconfiança por parte da burguesia."

Laudeando: Em relação a importância da imprensa em um período histórico, em qual o momento o Brasil se assemelhou à França, durante a revolução?

Simões: "No Brasil colônia, principalmente durante o século XVIII, as idéias liberais vindas da França ou dos EUA, antiga colônia inglesa, eram divulgadas por panfletos ou pasquins (jornais populares). No Brasil colônia, não havia imprensa. Os livros precisavam ser importados da Europa. Mas o governo português barrava qualquer publicação que contivesse idéias abomináveis. Por exemplo, nenhuma das obras de pensador iluminista podia entrar no Brasil. Só que a proibição não era obedecida. Os livros perigosos entravam escondidos e eram passados de mão em mão em mão entre as pessoas mais instruídas, quase todas da elite colonial. Muitos desses livros inspiraram manifestos feitos contra o governo colonial de Portugal. Esses manifestos se davam através de jornais clandestinos, que divulgavam idéias revolucionárias contra o povo.Esses ideais revolucionários inspiram a Inconfidência Mineira, a Conjuração Baiana, a Conjuração Carioca, A Revolução Pernambucana, entre outras."

Laudeando: Podemos afirmar que hoje, há um veículo que defenda os ideais iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade? Qual? Por quê?

Simões: "Sim. No Brasil e no mundo, podemos afirmar que os jornais impressos possuem essa função. Pois eles a seu modo buscam divulgar idéias e promover debates, buscando com isso um maior liberdade de expressão. Esse ato por conseqüência provoca uma luta pela igualdade social e política na sociedade e faz com que a mesma se torna mais fraterna. Infelizmente a televisão não possui uma liberdade muito ampla, já que as redes de televisão são concessões governamentais. E uma crítica maior ao governo poderá ser punida com perda de concessões ou até mesmo a retirada de anunciantes favoráveis ao governo. Causando assim um prejuízo financeiro para a emissora."

Laudeando: Sem a relevância da opinião pública nos jornais, O dia do Fico teria de fato, acontecido?

Simões: "O dia do Fico (9 de janeiro de 18922),a decisão do príncipe de permanecer no Brasil e desafiar as Cortes foi produto de um amplo movimento no qual se destacou José Bonifácio.Como membro destacado do governo provisório de São Paulo, José Bonifácio escreveu em 24 de dezembro de 1821 uma carta a D.Pedro, na qual criticava duramente a decisão das Cortes de Lisboa e chamava a sua atenção para o importante papel reservado ao príncipe nesse momento de crise. No Rio, D. Pedro divulgou a carta, que foi publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercussão. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada por José Bonifácio, para entregar ao príncipe a representação paulista. Nesse mesmo dia D. Pedro nomeou José Bonifácio ministro do Reino e dos Estrangeiros. Sem dúvida sem a divulgação da carta na Gazeta do Rio e a sua repercussão política e social, as decisões de D. Pedro poderiam ter sido outras. Essa divulgação foi fundamental para o êxito do acontecimento."

Redação do "Laudeando"